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VAREJO DE SC CRESCE 9,5% NO PRIMEIRO SEMESTRE DESTE ANO

Apesar de registrar a maior queda do país em maio e estagnação em junho, o comércio de Santa Catarina terminou o primeiro semestre com saldo positivo.O volume de vendas cresceu 9,5% na comparação com os primeiros seis meses do ano passado. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE na sexta-feira.

O Estado apresentou o terceiro maior aumento do país, atrás apenas de Rio Grande do Norte e Roraima (ambos com 9,9%). Por outro lado, com os maiores recuos nas vendas figuram Goiás (-2,6%), seguido por Distrito Federal (-2,4%). No país, o aumento foi de 2,9%. Frente a junho de 2017, o comércio catarinense registrou incremento de 6,9%. 

— SC foi um dos primeiros Estados a começar um processo de recuperação do comércio já no segundo semestre do ano passado. Isso se deve a uma série de fatores, como distribuição de renda mais igualitária, desemprego menor e acesso ao crédito mais elevado — diz o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-SC), Luciano Córdova.

Porém, o especialista acrescenta que a paralisação dos caminhoneiros impactou na recuperação do setor, o que explica o resultado negativo do volume de vendas em maio (-4,2%) e a estagnação em junho, na comparação com o mês anterior. No país, houve queda de 0,3% em junho. 

O economista acrescenta que a incerteza natural do período eleitoral também impacta na evolução das vendas.

— A expectativa é fechar o ano com crescimento em relação ao ano passado, até porque 2017 foi muito ruim para o comércio. A previsão é de uma recuperação forte a partir de 2019 — acrescenta.

Na comparação entre junho e maio, em Santa Catarina o comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, teve aumento de 2,8% – acima do país, que teve acréscimo de 2,5%. No primeiro semestre do ano, em comparação com mesmo período do ano passado, o salto foi de 13%.

O perfil do consumidor mudou, diz economista

A alta no primeiro semestre deste ano foi puxada pelo segmento de artigos de uso pessoal e doméstico – que engloba lojas de departamentos, óticas, artigos esportivos e brinquedos –, com incremento de 16,5%. Em segundo lugar vem o setor de supermercados, produtos alimentícios e bebidas, com 14,2% de crescimento no período.

O economista Luciano Córdova explica que o setor supermercadista e de produtos farmacêuticos, por exemplo, apresentam crescimento porque dependem menos de crédito. Além disso, o avanço das vendas de supermercados reflete uma mudança de comportamento do consumidor:

— Antes da crise, crescia o segmento de restaurante e comida fora de casa, aí com a redução de renda, as pessoas voltaram a consumir em casa e comprar no supermercado — explica.
Estimativa de melhora nos próximos meses

Por utilizar metodologia diferente, o levantamento da Associação Catarinense de Supermercados (Acats) aponta uma queda de 0,7% nos primeiros seis meses de 2018. De acordo com a análise da entidade, o resultado foi impactado pela paralisação dos caminhoneiros. Mas as expectativas são positivas para os próximos meses:

— Para os supermercados, o segundo semestre historicamente é um período mais consistente de vendas dentro do ano e acreditamos que esta tradição deva se manter, embora o nível de desemprego no Brasil continue alto e isso afeta diretamente a atividade do comércio — afirma o presidente da entidade, Paulo Cesar Lopes.

Na outra ponta, o volume de vendas do comércio catarinense registrou baixa nos itens de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-10,3%) frente aos primeiros seis meses de 2017. Córdova explica que o resultado negativo em materiais para escritório, por exemplo, reflete a retração de investimentos das empresas e dos gastos do governo:

— É preocupante, porque é o indicador de que os investimentos não voltaram a ocorrer, já que os materiais de consumo do trabalho, digamos assim, não estão sendo repostos — afirma. 

Variação dos setores (%) no primeiro semestre em SC
Combustíveis e lubrificantes       1,8%
Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumos                     14,2%
Tecidos, vestuário e calçados    -2,3%
Móveis e eletrodomésticos          1,7%
Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria   5,4%
Livros, jornais, revistas e papelaria               -6,1%
Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação    -10,3
Outros artigos de uso pessoal e doméstico                      16,5%

Fonte: Karine Wenzel. NSC-DC

Tópicos: Economia, Varejo, Alta, Consumidor

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